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    sexta-feira, 7 de setembro de 2012

    'Racismo é perverso', diz a primeira doutora quilombola do Brasil


    Bibiana DionísioDo G1 PR

    Edimara Gonçalves Soares diz que acesso à educação para crianças quilomobolas é repleto de obstáculos, alguns intransponíveis (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)Edimara Gonçalves Soares diz que acesso à educação para crianças quilomobolas é repleto de obstáculos, alguns intransponíveis (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)
    A primeira doutora quilombola do Brasil acaba de tirar o título, na área de Educação, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Edimara Gonçalves Soares, professora da rede estadual de ensino, defendeu a tese “Educação escolar quilombola: quando a política pública diferenciada é indiferente” na terça-feira (28). Formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos em uma comunidade quilombola, criada pelos bisavós dela, em Formigueiro, a 68 quilômetros de Santa Maria. A comunidade não tem nome e é formada por, aproximadamente, 60 famílias que vivem do que plantam e criam.
    Sempre crítica à escolarização dos remanescentes de quilombos, que são comunidades mais afastadas criadas por escravos que fugiram dos senhores de engenho, na época do Brasil Colonial, os sentimentos da nova doutora se confundem. “Eu tenho orgulho, sim. Mas é um orgulho que me faz refletir sobre o quanto a desigualdade, o preconceito, o racismo institucional são fenômenos perversos e que não são reconhecidos, dado o mito da democracia racial. Nós vivemos em um país da diversidade racial, que nós somos todos iguais... Só que nessas diversidades, as desigualdades não são reconhecidas, são dissolvidas”, refletiu Edimara Soares.
    A desigualdade, o preconceito, o racismo institucional são fenômenos perversos e que não são reconhecidos, dado o mito da democracia racial"
    Edimara Gonçalves Soares
    Para a professora, o título tem valor simbólico e concreto para o grupo que ela pertence. “O fato de escrever uma tese sobre a educação escolar quilombola, a partir de alguém que é quilombola, que é sujeito desta história, tem um significado singular de representação. Não é um estrangeiro dizendo como que é um quilombola, o que ele tem que fazer, como ele deveria ser. Não é o sujeito de fora narrando os nativos. É alguém de dentro do grupo que conta a sua própria trajetória e ao contar essa história, conta também a trajetória de muitos estudantes de muitas pessoas quilombolas”, explicou entusiasmada.
    Edimara acredita que a dificuldade que ela teve que enfrentar para ter acesso à escola é a mesma vivida pelas atuais crianças que vivem em quilombos. Ela lembrou que precisava acordar às 4h30, caminhava em torno de uma hora até o ponto onde pegava o ônibus.

    Ela contou ainda que, em casa, precisava colher bambu e fazer uma fogueira para iluminar livros e cadernos. “A gente não tinha luz elétrica, eu estudava com fogo de chão. Não podia ficar gastando vela ou querosene dos lampiões, porque a gente não tinha também dinheiro para comprar. Toda a trajetória de estudo é marcada por muita luta, muito sacrifício, por muita garra e determinação”. Ela confessou que nas Exatas não ia muito bem e por isso precisava estudar mais. Por outro lado, nas Humanas “era tranquilo”. Foi com a ajuda de uma família de Santa Maria que conseguiu completar o Ensino Médio e ingressar na universidade. 

    Edimara recordou que foi uma visita do colégio onde estudava à feira de cursos da UFSM que a fez decidir que queria entrar na universidade.  "No segundo ano do Ensino Médio eu tinha um norte. Queria entrar ali".
    Casa onde Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos, no quilombo "sem nome" em Formigueiro (RS)  (Foto: Arquivo pessoal)Casa onde Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos,
    no quilombo "sem nome" em Formigueiro (RS)
    (Foto: Arquivo pessoal)
    Depois de desenvolver uma tese de doutorado, Edimara lamenta ao perceber que os obstáculos são praticamente os mesmos. “A minha história, quanto estudante negra quilombola, é semelhante e, em certas situações, idêntica à história de muitas crianças quilombolas que estão em fase escolar”, afirmou.

    Segundo Edimara, as dificuldades são quase intransponíveis. “Às vezes não tem um número significativo [de alunos] para manter a escola, daí esta escola é fechada e essas crianças são enviadas para outro estabelecimento de ensino, distante da comunidade”, exemplificou. Para a professora, isso mostra que as nossas crianças quilombolas, até hoje, não tiveram ainda acesso a educação da forma que lhes é de direito. Ela pontuou ainda que normalmente essas crianças têm um período para estudar, porque chega um momento que deixam de ir ao colégio para trabalhar, para sobreviver.

    Ainda que o Paraná tenha sido pioneiro na aplicação de medidas específicas para este público, com o Departamento de Diversidade e o Núcleo de Educação das Relações Etnicorraciais e Afrodescendência (NEREA), ambos da Secretaria Estadual de Educação, a ação foi "inócua a despeito de todo o investimento e esforço que foi feito". 
    Este e outros acontecimentos da rotina escolar das comunidades quilombolas do estado foram abordados e analisados na tese de Edimara, sob orientação da professora doutora Tânia Maria Baibich.

    Isso significa, como explicou a professora, que não se atingiu plenamente os objetivos inerentes à lei federal de 2003 que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Havia também o intuito de que os professores articulassem os conhecimentos tradicionais das comunidades quilombolas com o currículo escolar. “Esse é o princípio fundante da educação escolar quilombola”, destacou.
    No estado, existem 42 escolas que atendem comunidades quilombolas, divididas em 11 municípios. Contudo, para que a lei fosse de fato cumprida, de acordo com Edimara, tópicos essenciais não foram considerados.

    “Faltou uma articulação, efetiva, com as universidades, com as instituições formadoras. Faltou uma parceria com as comunidades quilombolas e também houve uma ausência de ações pedagógicas, de maneira sistemática e permanente, com os professores, no interior destas escolas. As ações foram pontuais, não foram ações sistemáticas”, explicou.  Para ela também faltaram investimentos em infraestrutura e em aspectos administrativos, inclusive, recursos financeiros. “É a fartura da falta. Faltam muitas coisas na dimensão de infraestrutura”, complementou.
    Ninguém ensina, o que não sabe. (...) somos produtos de uma educação eurocêntrica, de um currículo monocultural,"
    Edimara Gonçalves Soares
    Edimara reforçou que a universidade não prepara os acadêmicos, futuros professores, para trabalhar questões etnicorraciais e de diversidade. A doutora é clara ao dizer que os docentes não podem ser culpados pela falha na aplicação da proposta da Secretaria de Educação.

    “Ninguém ensina, o que não sabe. Eles, nós não tivemos acesso a esses conhecimentos na formação inicial, enquanto professores, porque somos produtos de uma educação eurocêntrica, de um currículo monocultural, e não foram dadas as condições necessárias”.

    Para que se vislumbre um cenário mais adequado na educação quilombola, Edimara sugere a resolução das problemáticas identificadas e a necessidade de se reconhecer que existe o racismo. “Eu preciso reconhecer a existência deste fenômeno, criar mecanismo para combatê-lo, porque ele está presente de forma muito contundente nas escolas dentro das comunidades quilombolas e nas escolas fora”, assegurou. Ela cita ainda aumento de verbas para aquisição de material e para formação dos docentes.

    “Não é algo que vai ser de hoje para amanhã, demanda todo um esforço, uma vontade política e de investimento financeiro”, destacou.
    As ações afirmativas 
    Edimara se diz favorável à lei sancionada na quarta-feira (29) pela presidente Dilma Rousseff que determina o sistema de cotas sociais nas universidades federais. De acordo com a lei, metade das vagas oferecidas é de ampla concorrência, já a outra metade será reservada por critério de cor, rede de ensino e renda familiar. As universidades terão quatro anos para se adaptarem. Atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes negros, pardos e indígenas.

    Edimara acrescentou que esta desigualdade é histórica e acumulada, desde 1888 quando foi abolida a escravidão no Brasil. "A liberdade veio, porém, sem medidas para integrar a população negra, sem que possibilitasse acesso social e educacional", disse Edimara. Na avaliação dela, as cotas vêm para promover a igualdade de oportunidade. 
    “O fato de eu ser a primeira quilombola do país mostra o quanto nosso país precisa investir no combate às desigualdades sociais. Ainda existe um abismo, principalmente, nas questões relacionadas a educação, ainda que os governos estadual e federal venham investindo em políticas afirmativas e inclusivas”, afirmou.
    “O objetivo maior da política afirmativa é combater e, possivelmente, eliminar o lastro de desigualdades sociais. Se tu fores fazer uma radiografia das pessoas que hoje estão nos cursos de mais prestigio na universidade, como Medicina, Arquitetura, Engenharia, Direito, dificilmente tu vais encontrar, na mesma proporção, negros e brancos”, argumentou.
    Fonte: G1

    sexta-feira, 1 de junho de 2012

    Estudante é preso por racismo e desacato a policial, no ES

    Fonte: Estadão
    Um estudante de Direito, de 29 anos foi preso na tarde da última quarta-feira, 31, por racismo e desacato contra agentes da polícia, na região de Vila Velha, no centro do Espírito Santo.
    De acordo com o delegado plantonista que registrou o caso, Robson Lemos Martins, o homem estava passando com seu cachorro na praia Itapoã pela areia, área que é proibida a passagens de animais.
    Segundo o delegado, dois guardas municipais seguidos de agentes guarda-vidas abordaram o estudante para pedir que ele se retirasse da areia com o cachorro. De acordo com informações dos guardas, o homem reagiu discutindo com eles e chegou a ofender um dos guarda-vidas, chamando-o de "macaco".
    Com a ofensa, pedestres que passavam pelo local teriam se revoltado e tentado linchar o homem que acabou sendo protegido pelos guardas municipais, afirma Martins. Os guardas chamaram a Polícia Militar que algemou o estudante, que protestava contra a prisão.
    Martins afirma que o estudante de 29 anos foi autuado por injúria racial e por desacato aos policiais militares. A pena por injúria racial varia entre 1 e 3 anos de prisão. O estudante passou a tarde da quarta-feira detido, quando ao fim do dia, de acordo com o delegado, seus familiares pagaram a fiança de R$ 5 mil.
    Martins afirma ainda, que no momento do pagamento da fiança, a mãe do estudante afirmou que o homem tem problemas psicológicos. De acordo com o depoimento da mulher, o filho estudava direito na Alemanha e teria trancado a matrícula dos estudos em função do distúrbio mental.
    * Este artigo não representa necessariamente a opinião do site, sendo de inteira responsabilidade, assim como seu crédito total, de quem o escreveu.

    Pesquisa aponta traços de racismo na Literatura de Cordel

    Fonte: Geledes
    Trabalho está sendo realizado por uma aluna do curso especialização da Universidade Federal de Alagoas
    literatura-de-cordel-foto
    Uma pesquisa intitulada "Nordeste Brasileiro: A representação do Racismo à brasileira dentro da Literatura de cordel (1900-1950)" de uma aluna do curso especialização da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) revelou que nesse tipo de literatura, bastante popular no Nordeste, encontramos traços do racismo presentes no cotidiano.

    A aluna Cinthia Roberta Santos explicou que em seu trabalho ela queria refletir sobre as questões étnico-raciais que estiveram presentes no processo de construção da identidade cultural de homens e mulheres sertanejos no início do século XX. Para tal análise, traçou um dialogo entre história e literatura.

    Cinthia Santos ressalta que o objetivo do projeto é compreender como esse discurso racista, presente na cultura dominante, é absorvido pelo povo e, desta forma, alimenta um imaginário social no qual o indivíduo negro é visto como inferior. Por isso, a pesquisadora não quer apenas se deter sobre o problema, mas também avaliar as formas de superação. "Se por um lado, estaremos atentos à acomodação desse discurso racista às falas populares, ao seu imaginário, por outro, procuraremos pelas resistências, pelas formas imaginativas pelas quais essa população buscou enfrentar os problemas raciais", pontua Cinthia.

    * Este artigo não representa necessariamente a opinião do site, sendo de inteira responsabilidade, assim como seu crédito total, de quem o escreveu.

    sexta-feira, 27 de abril de 2012

    STF decide por unanimidade que sistema de cotas é constitucional

    Fonte: Folha

    O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira por unanimidade que o sistema de cotas raciais em universidades é constitucional. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, iniciou seu voto --o último dos ministros-- por volta das 19h30, antecipando que acompanha o voto do relator Ricardo Lewandowski.

    O julgamento, que terminou por volta das 20h, tratou de uma ação proposta pelo DEM contra o sistema de cotas da UnB (Universidade de Brasília), que reserva 20% das vagas para autodeclarados negros e pardos.

    Ayres Britto disse durante o voto que os erros de uma geração podem ser revistos pela geração seguinte e é isto que está sendo feito.

    Em um voto de quase duas horas, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou ontem (25) que o sistema de cotas em universidades cria um tratamento desigual com o objetivo de promover, no futuro, a igualdade.

    Para ele, a UnB cumpre os requisitos, pois definiu, em 2004, quando o sistema foi implantado, que ele seria revisto em dez anos. "A política de ação afirmativa deve durar o tempo necessário para corrigir as distorções."

    Luiz Fux foi o segundo voto a favor das cotas raciais. Segundo Fux, não se trata de discriminação reservar algumas vagas para determinado grupo de pessoas. "É uma classificação racial benigna, que não se compara com a discriminação, pois visa fins sociais louváveis", disse.

    A ministra Rosa Weber também seguiu o voto do relator. Para ela, o sistema de cotas visa dar aos negros o acesso à universidade brasileira e, assim, equilibrar as oportunidades sociais.

    O quarto voto favorável foi da Ministra Cármen Lúcia, que citou duas histórias pessoais sobre marcas deixadas pela desigualdade na infância.

    Em seu voto, o ministro Joaquim Barbosa citou julgamento da Suprema Corte americana que validou o sistema de cotas para negros nos Estados Unidos, ao dizer que o principal argumento que levou àquela decisão foi o seguinte: "Os EUA eram e continuam a ser um país líder no mundo livre, mas seria insustentável manter-se como livre, mantendo uma situação interna como aquela".

    Peluso criticou argumentos de que a reserva de vagas fere o princípio da meritocracia. "O mérito é sim um critério justo, mas é justo apenas em relação aos candidatos que tiveram oportunidades idênticas ou pelos menos assemelhadas", disse. "O que as pessoas são e o que elas fazem dependem das oportunidades e das experiências que ela teve para se constituir como pessoa."

    O ministro Gilmar Mendes também votou pela constitucionalidade das cotas em universidades, mas fez críticas ao modelo adotado pela UnB. Ele argumentou que tal sistema, que reserva 20% das vagas para autodeclarados negros e pardos, pode gerar "distorções e perversões".

    Celso de Mello disse, durante seu voto, que ações afirmativas estão em conformidade com Constituição e com Declarações Internacionais subscritas pelo Brasil.

    Marco Aurélio Mello também seguiu o relator e votou pela constitucionalidade do sistema de cotas. Dias Toffoli não participou do julgamento por ter dado um parecer no processo quando era da Advocacia-Geral da União.


    * A matéria em questão é de inteira responsabilidade dos seus criadores, assim como seu crédito total.

    quarta-feira, 25 de abril de 2012

    STF inicia julgamento das cotas em universidades


    Fonte: Folha.com e SeLigaAí

    Começou no início da tarde desta quarta-feira o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a constitucionalidade da reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais da UnB (Universidade de Brasília). O ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação, leu o relatório sobre o caso.


    Segundo a ação, ajuizada pelo DEM em 2009, com o sistema estão sendo violados diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, afetando o próprio combate ao racismo. Neste momento, a advogada voluntária do DEM, Roberta Kaufmann, faz a defesa da ação.

    Após a defesa, participarão do julgamento, na condição de amigos da Corte (amici curiae), a Defensoria Pública da União, a Funai (Fundação Nacional do Índio), o Iara (Instituto de Advocacia Racial e Ambiental), o MPMB (Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro), a Fundação Cultural Palmares, o MNU (Movimento Negro Unificado) e a Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescentes e Carentes).



    Editoria de Arte/Folhapress


    A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de cotas de 20% do total das vagas oferecidas pela instituição a candidatos negros - entre pretos e pardos.
    Esse é o primeiro julgamento em plenário da gestão do ministro Ayres Britto, que tomou posse na presidência do STF na última quinta-feira (19). Além do sistema de cotas, o ProUni (Programa Universidade para Todos), alvo de ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo DEM, e o recurso de um estudante do Rio Grande do Sul que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas de seu estado estão na pauta do STF.


    * A matéria em questão é de inteira responsabilidade dos seus criadores, assim como seu crédito total.

    Rafael Zulu fala sobre racismo, homofobia e demais preconceitos

    De jornalista de moda assumidamente homossexual a mecânico no horário nobre, Rafael Zulu, aos poucos, vai se firmando como um jovem  (e belo) ator de uma nova geração que surge, aos poucos, nas novelas da Globo. Mas,antes de qualquer aparição na telinha dos televisores em frente aos quais nos sentamos, Rafael é que passava grande parte do tempo estático, em frente a uma outra tela: a de um computador.Descubra esse 'mistério' do passado em nosso bate-papo com o ator...
    Heloisa Tolipan - Você se chama, na certidão, Rafael Gervásio dos Santos. O nome 'Zulu' remete automaticamente à beleza negra, por conta da tribo africana. Você que criou esse nome artístico tão legal?
    Rafael Zulu - Na verdade, uma amiga e atriz, Josie Pessoa, que me deu esse sobrenome, relutei num primeiro momento mas depois adotei!
    HT - Antes de ser ator, você estudava Telecomunicações. Qual foi o momento da virada, em que decidiu embarcar nessa nova carreira?
    RZ - Acho que ator nasce ator, ou melhor artista nasce artista! Decidi mudar tudo quando vi que não estava tão feliz sentado na frente de um computador somente!
    HT - Após viver na TV um crítico de moda, o que mudou em relação a sua visão sobre este universo, antes e depois dessa experiência em sua vida?
    Rafael Zulu sobre preconceitos: 'O nosso povo ainda tem uma cabeça fechada'
    Rafael Zulu sobre preconceitos: 'O nosso povo ainda tem uma cabeça fechada'
    RZ - Ainda bem que nunca fui um cara de ter preconceitos bobos quanto a cor, classe social, homossexualidade e coisas mais... Mas no processo de estudo para o personagem não mudei minha visão, mas me encantei com eles e vi o quanto é delicado e dificil ser homossexual num país como o Brasil! Finge-se aceitar, mas o povo ainda tem uma cabeça muito fechada!
    HT - Pois é, o Adriano, de 'Ti-ti-ti', era homossexual assumido. Em Fina Estampa, tivemos um personagem gay muito querido por todos, o Crô. O que falta para que o tabu-símbolo da imagem dos gays nas novelas, que é o beijo, seja superado?
    RZ - Falta pararmos de encarar o homossexual como um ser diferente, que não chora, não sofre, não sente dor... o dia que entendermos que somos iguais mesmo gostando de coisas diferentes, talvez isso acabe! Mas pelo visto isso ainda vai levar tempo!
    HT - E por falar no Adriano, que era um crítico de moda: muitos ainda afirmam que negros não são tratados igualmente na hora de escalar elenco na TV. Você acha que ainda rola essa diferenciação preconceituosa?
    RZ - Acho que avançamos nesse quesito! Hoje encontramos muito mais negros ocupando papeis de relevância nas tramas! Não sei como é o processo de escalção dos autores e diretores! Só acho que ainda não somos um produto que interessamos tanto nesse sistema televisivo!
    HT - E na vida real, você apoia ações afirmativas (como cotas em universidades) engendradas pelo governo?
    RZ - Apoio a cota social! Ou seja, aquela pessoa que não tem grana para finaciar seus estudos deve, sim, ter uma abono e um apoio do govero. Consequentemente muitos negros vão se enquadrar e sair ganhando como isso!
    HT - De colunista fashion a mecânico: você se considera um ator versátil?
    RZ - Sim, e acho que com estudo podemos ser versáteis sim, mas sobretudo me considero um ator que tem tido boas oportunidades! Muitos atores são versáteis mas, infelizmente, são sempre escalados apenas para  tirar a a camisa, ou só ser o galã, ou o empregado e assim vai...
    Sobre assédio da mídia: 'É consequência de ter escolhido a profissão que escolhi para mim'
    Sobre assédio da mídia: 'É consequência de ter escolhido a profissão que escolhi para mim'
    HT- E o assédio da mídia, como funciona? Há poucos dias, por exemplo, você foi apontado como novo affair de Fernanda Paes Leme, por exemplo.... Te incomoda a abordagem da imprensa especializada em celebridades?
    RZ - Não, claro que não me incomoda! É a consequencia de ter escolhido essa profissão para sobreviver! A mídia tem uma relação comigo (e eu com ela) muito bacana! Estabeleço sempre isso em cada entrevista!
    HT - Teatro e TV já estão marcados na sua carreira. Cinema está em seus planos?
    RZ - Está sim, esse ano tenho convites para dois longas!
    HT - Você se considera um cara vaidoso? Cuida do seu corpo? Pratica esportes?
    RZ - Sinceramente, não sou vaidoso não! Não pratico esporte e nem vou a academia!

    * A matéria em questão é de inteira responsabilidade dos seus criadores, assim como seu crédito total.

    domingo, 22 de abril de 2012

    Araraquara: Estudantes da Unesp fazem passeata contra ato de Racismo

    A manifestação aconteceu na tarde desta quinta-feira, na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp em Araraquara, em repúdio a pichações em uma parede do Campus. 
    Uma manifestação de repúdio ao ato racista nas dependências da Unesp de Araraquara, mobilizou na tarde desta quinta-feira (19), estudantes de diversos cursos em apoio os estudantes africanos e contra xenofobia e racismo. A manifestação foi pacifica, com os estudantes pintando em seus corpos mensagem e carregando cartazes com mensagens de apoio aos estudantes africanos e, de acordo com informações de um estudante, a ação aconteceu de forma “espontânea”. Já outra aluna da universidade denominou o ato discriminatório como “ridículo” e descabido em pleno século XXI. 
    O doutor e docente de Antropologia da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP e Coordenador do Centro de Estudos das Culturas e Línguas Africanas e da Diáspora Negra (CLADIN), Dagoberto José Fonseca explicou, durante a manifestação aos estudantes, como funciona o intercâmbio dos estudantes africanos e o que é xenofobia e racismo.
    Dagoberto informou que estão estruturando uma sindicância, já foi feito o Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil e que estaria junto ao Ministério Público dando algumas declarações sobre o caso. Dagoberto lamentou que o fato tenha acontecido dentro da Unesp. “Agora, precisamos entender que tipo de manifestação é essa; se é isolada, se é de alguém insatisfeito com alguma coisa, de um grupo… por isso é preciso averiguar. Por isso nós estamos pedindo que se faça uma verificação, uma apuração do que temos efetivamente aqui”, diz, acrescentando que foi um pedido dos estudantes a abertura de uma sindicância e um encaminhamento junto a policia civil até mesmo para ampara-los”.
    Atualmente, no Campus, são 25 estudantes africanos e esta pichação causou em um dos estudantes africano indignação. Outro estudante disse que espera que encontrem um diálogo entre os estudantes e os professores e tentar apurar quem são os autores da pichação. “Dá para se perceber que não são somente os alunos africanos que estão preocupados, mas também os brasileiros. Estou aqui há seis anos e nunca pensei que isso pudesse acontecer”, finalizou o estudante.

    * A matéria em questão é de inteira responsabilidade dos seus criadores, assim como seu crédito total.

    sábado, 21 de abril de 2012

    Na final, Michael e Wallace superam casos de homofobia e racismo

    Duas vítimas de intolerância por parte da torcida se enfrentarão na final da Superliga masculina de vôlei, entre Vôlei Futuro e Sada Cruzeiro, neste sábado. O central Michael e o oposto Wallace, alvos de ofensas homofóbicas e racistas, respectivamente, lamentam os ocorridos e celebram ter superado os acontecimentos para poder brigar pelo título nacional.
    Michael foi ofendido justamente em uma partida contra o Cruzeiro, na semifinal da competição nacional da temporada passada. Chamado de “bicha” e “gay” pelos integrantes da torcida adversária, o atleta assumiu posteriormente ser homossexual e tentou levantar a discussão contra o preconceito com o episódio.
    Já na fase classificatória da Superliga deste ano, Wallace foi vítima de insultos racistas em partida contra o Vivo/Minas. Quando se preparava para um saque, ouviu uma torcedora gritar “vai lá, macaco. Volta para o zoológico”.
    “Eu já nem penso mais nisso. Não falo mais sobre isso, só quando me perguntam. Para mim é algo que já passou, não vale mais nada”, afirmou o jogador do clube mineiro à Gazeta Esportiva.Net. “É esquisito, acho que todos os esportes vão estar sujeitos a isso, mas um dia vai acabar”. Após o ocorrido, o Cruzeiro pegou o Minas duas vezes na semifinal e Wallace foi um dos destaques da classificação à decisão.
    Assim como aconteceu com o caso de Michael, os xingamentos preconceituosos ao oposto tiveram repercussão nacional. A partida seguinte do Cruzeiro foi contra o Vôlei Futuro e todos os atletas do clube paulista entraram em quadras de camisas negras, com o nome do jogador rival nas costas.
    Divulgação CBV
    Segundo maior pontuador da Superliga, Wallace foi chamado de macaco por torcedora do Minas
    Quando seu atleta foi ofendido, um ano antes, a equipe paulista também utilizou as camisas para demonstrar seu repúdio ao ocorrido. O líbero do time, Mário Jr., jogou a segunda partida da série semifinal contra o Cruzeiro vestido com as cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBT. A torcida da equipe de Araçatuba recebeu da direção do clube bastonetes rosas e também levantou uma bandeirão com os dizeres “Vôlei Futuro contra o preconceito”.
    “Não que me assuste, mas é chato que isso aconteça mesmo depois do meu caso, de a gente ter ido à imprensa e falado, ainda ter acontecido com o Wallace. É uma coisa muito triste, não dá para aceitar”, afirmou o central Michael, que nega ter problemas em enfrentar o Cruzeiro por conta dos ocorridos de 2011.
    Apesar da lamentação pelos episódios em dois anos seguidos na Superliga, as vítimas das ofensas celebram o fato de terem lidado bem com a situação. Hoje, os dois estão entre os principais destaques de suas equipes, que podem conquistar a competição nacional pela primeira vez.
    Divulgação CBV
    Vítima de ofensas homofóbicas, Michael é um dos mais experientes do Vôlei Futuro
    Na última temporada, o Cruzeiro levou a melhor sobre o Vôlei Futuro na semifinal e avançou à decisão, em que foi derrotado pelo Sesi. Wallace, segundo maior pontuador da Superliga, acredita que este ano ele e o restante do time chegam à final mais preparados.
    “A gente não pode vacilar, não pode dar muitos pontos para eles. Pelo menos eu estou melhor do que no ano passado, evolui um pouco e aí fica mais fácil de fazer seu próprio jogo. É a experiência, você ganha uma cabeça mais fixa e começa a encarar com mais naturalidade”, avaliou Wallace, segundo maior pontuador da Superliga também este ano.
    Mais experiente, Michael já sentiu a alegria de conquistar o título da Superliga uma vez. Ainda em início de carreira, ele integrava a equipe do Banespa, campeão da competição nacional em 2004/2005. Hoje, é um dos atletas de referência do Vôlei Futuro, ao lado de Ricardinho, Lorena e o cubano Camejo.
    “Na época eu tinha que jogar mais como garoto, dar na bola forte, e a responsabilidade estava com os caras mais velhos. Hoje a situação é inversa, sou um dos que têm que decidir, que ajudar, mas estou preparado para isso. Trabalhei muito e espero ajudar”, afirmou.
    A final entre Vôlei Futuro e Sada Cruzeiro está marcada para as 10h (de Brasília) de sábado, no Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo. As equipes se enfrentaram duas vezes na fase classificatória da Superliga e o time mineiro ficou com a vitória em ambas.
    * A matéria em questão é de inteira responsabilidade dos seus criadores, assim como seu crédito total.
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